Muito que se comente sobre os grandes fatos da língua e da cultura como interesse da literatura, permanece uma questão de interesse do escritor e que pouco tem interessado aos círculos eruditos e à crítica literária geral: o lugar onde as ideias acontecem na mente do autor. E ele é recheado de situações tão aparentemente frugais, que parece não ser importante aos outros pensarem neles. Porque as mais elementares "tolices" podem se tornar ideias no exercício da escrita ficcional (e nem sempre). Enfim, ideias literárias e
personagens excelentes podem e costumam surgir das coisas. Toda coisa. Claro, a literatura, não importa o autor e a obra, são acontecimentos da língua, e nela se realiza. Enfim, este é um texto sobre criação, e, sim, sobre exercícios de estilo.
Neste
exercício de imaginação, quero te mostrar como é possível construir
boas personagens usando a Teoria das Psicologia das Cores na Moda. As
cores que escolhi aqui são meramente ilustrativas, você pode escolher
outras cores e tons para suas criações.
Pesquisando a psicologia
das cores, você irá se deparar com usos sociais e efeitos sensíveis na
percepção das pessoas. A coisa é levada tão a sério, que essa teoria é
usada em logos de marcas, na paleta da direção de fotografia de filmes e
na moda.
Para nossa atividade, escolhi três perfis de cores no
disco, com a simbologia aí presente: complementares (opostas no disco
cromático), monocromáticas (tons da mesma cor) e análogas (próximas no
disco). Cada cor, no entanto, possui significados distintos. Você escolhe a sua e o resto está no Google, para nosso prazer ou comodidade.
😈😇
Personagens complementares possuem temperamentos opostos, e por isso
criam contrapontos incríveis na história, além de se equilibrarem
mutuamente;
🕸️🕷️ As personagens monocromáticas se confundem às
vezes com personagens planas, de caráter único, sem variação. Mas elas
se entendem e quase nunca entram em conflito, ou brigam sempre, porque
são a mesma face da moeda, espelhos uma da outra. A diferença é "de
tom", uma tendo a nota menor, menos explosiva etc.
💞💌
Personagens análogas são uma extensão recíproca uma da outra, a ponto de
a primeira não existir sem a segunda. É como se fossem "gatilhos"
recíprocos das ações de ambas.
As personagens que selecionei nas imagens se encaixam nesses esquemas.

Vejo Jules e Vicent, de Pulp Fiction, como personagens complementares, porque são opostos, com personalidades distintas, mas se completam ao menos para a graça (ok, "harmonia") do espectador. O primeiro é racional, frio e objetivo. O outro, impulsivo, instável e cínico. Não necessariamente nessa ordem. Mas funcionam bem na história.
Debi e Lóide são personagens monocromáticas, como vejo, como se um deles fosse "escada" do outro, um "acionador" das falas do outro, não possuindo uma personalidade individual profunda, e é assim que deve funcionar. Por isso, por outro lado, eles são "preto e branco", ou de um cinza muito próximo. Ou são variações de laranja, ou de verde, ou de vermelho etc., com a devida simbologia que guardam essas cores.

Tyler Durden e Narrador, por outro lado, mais do que extensão um do outro, eles são projeções deles. Um não existe sem o outro. Não confunda: não escolho esses dois por ser o Tyler talvez fruto da imaginação de Narrador, o "Hyde" deste. Na verdade, há personagens que guardam sua individualidade, não são "fruto da imaginação" de outra, mas sem elas, as outras com quem elas andam ou combatem simplesmente perdem sua função e razão de existência na trama. Assim, Ellijah e David Dunn, em Corpo Fechado, são antípodas e preveem a existência um do outro, e não importa se essa é uma fantasia patológica do homem com corpo de vidro, na trama é assim que deve funcionar, e o conflito ganha sua vitalidade nessa relação. Pois em: Tyler é a face ególatra, inconstante e impulsiva de Narrador, que por sua vez é possivelmente esquizofrênico, ansioso e depressivo. Portanto, são personagens ANÁLOGAS.
E, por fim, por que eu menciono a Moda neste exercício de escrita criativa? Porque a impulsividade consumista e atenta aos valores de empoderamento, impacto e primeira impressão pelo olhar ganha aqui fóruns de grande expressividade na transposição e re-criação literária. Funciona bem nos roteiros de cinema e na literatura em geral, não apenas dos best-sellers. Ver para crer.
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