O JOGO (trecho de romance monovocálico)


File:Luca Pacioli, De divina proportione, Letter O

(Adilson Jardim)
 
Cada texto que faço é único para mim, não apenas porque retrata experiências de vida (não aquelas efêmeras, os acontecimentos pontuais, mas as experiências que podem ou não serem retratadas pela vida interior das palavras), como também porque é em essência o que sou de questionador das palavras na minha (in)capacidade de acionar mundos, pensamentos, ações e sensações.
 
Somente um romancista de ofício (?) entenderá a sinceridade nas palavras de Gustave Flaubert, quando o autor de Madame Bovary disse que a personagem era ele mesmo, como ser de linguagem e ação, de ensimesmada vocação contra os costumes contra o qual seu romance se impõe.

O JOGO é meu chef-d'ouvre do momento, até eu encerrar a busca angustiante das palavras adequadas para expressar o tema e as vozes que a encerram. Um romance monovocálico (com apenas uma vogal) é uma tarefa exaustiva, dolorosa e frustrante, mas que por isso mesmo justifica seu estilo e, espero, esteja no final justificada.
 
Vamos ao jogo que é a vida. Trecho de O JOGO


"Hobo-job”, povoo o globo com logbook, F.O.R., por N., N.O., S., S.O., W.N.W., W.S.W., N.N.W. Monto os troços do Zoo. Lord do Jogo, boot do sonho, ponho contornos no front. Morboso, moro Sodom, sobborgo do Orco, Bósforo dos porongos, loco dos Borocôs, dos Locos, Corson’s forol (Port of Solomon), bororó do Orobó, Moloch of Oxford, Mojo do Congo, Trono do Hong Kong, Son of God, own God, God’s dog, Dog’s God! Snoop dog com scorzo do rolo por nós proposto, do prólogo pro cólofon. Logo, só voto no “monjo” com “cojón gordo”, oposto dos roncolhos.

Comentários

  1. O grosso da literatura chamada "experimental" sempre enfrenta a acusação de ser "barroco". É uma escolha, apenas, e tem seu próprio ônus da dificuldade.

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