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O que acontece quando um homem é movido apenas pelo vazio de significados cujos rótulos ele vulgariza, enquanto
questiona tudo? Sem deidade, sem “missão da espécie humana na terra”, sem ato
transformador mais do que aqueles observados pela biologia e pela física quântica.
Obviamente, isso o torna um “fora da cultura” e do convívio dos homens. Mas
como pensa (e sente na pele) que um eremita social é a pior das solidões e dos
aborrecimentos, ele busca o pertencimento, não necessariamente
passando a acreditar na Cultura, na fé, empatia e solidariedade etc., porém por
um escandaloso ato de performance humana, um ator da vida, que cria uma
personagem (diríamos uma “máscara”), não como um alterego (ele não tem um “si
mesmo” para quem voltar), mas como um ponto cego social, uma máscara e somente
uma máscara. Ele procura estudar suas próprias manias e impulsos, os dos
outros, as causas, motivações, as filosofias teológicas e as superstições e
tabus, usa teorias matemáticas, joga tarô, aplica teorias duvidáveis como a
psicomorfologia etc. para se tornar um membro da espécie, não alguém amado
necessariamente, mas humano, com vícios semelhantes aos dos outros ao seu
redor. Mas, como não é possível alguém ir tão fundo, ele se perde no coração da cultura, enquanto enxerga o mal maior que ela oculta. Sua busca o conduz... à literatura.

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