Parturation (Mina Loy)

A poeta Mina Loy
















PARTO
(tradução de Carlos Santa Rosa)

Eu sou o centro
De um círculo de dor
Rompendo seus limites em todas as direções

Os assuntos do sol brando
Nada têm a ver comigo
Em meu saturado cosmo de agonia
Do qual não há saída
Em vibrações nervosas infinitamente prolongadas
Ou em contrações
Para o nuclear ponto do ser

Encontre uma irritação                  fora
Está                                                dentro
                                                       Dentro

Está fora
A área sensibilizada
É idêntica                                     à extensão
da intensidade

Eu sou a falsa quantidade
Na harmonia do potencial fisiológico
A cujo
Crescente autocontrole
Eu deveria me ajustar
Na hora

A dor não é mais forte do que a força restante
A dor pulsa em mim
A luta é justa

A janela aberta é preenchida por uma voz
Um retratista da moda
Correndo para o apartamento de uma mulher
Canta
        "Todas as garotas estão arrumadinhas e safadinhas
         Todas as garotas são legais
         Com seus cabelos cacheados
         Ou ---"

Por trás dos pensamentos que eu permito cristalizar-se
A concepção                                                       Bruta
Por quê?
             A irresponsabilidade do macho
Relega à mulher sua Inferioridade superior
Ele corre escada acima

Estou escalando uma distorcida montanha de agonia
Incidentalmente com a exaustão do controle
Alcanço o cume
E gradualmente desço até a antecipação do
Repouso
Que nunca chega
Porque outra montanha está crescendo
A qual             impulsionada pelo inevitável
Tenho que atravessar
Atravessando a mim mesma

Algo do delírio das horas noturnas
Confunde-se enquanto intensifica a sensibilidade
Borra contornos espaciais
De modo que auxiliando a fuga do confinado
A gargalhada de uma fera crucificada
Venha das distâncias
E a espuma nos músculos esticados de uma boca
Não seja parte de mim
Há um clímax na sensibilidade
Quando a dor supera a si mesma
Tornando-se exótica
E o ego consegue unificar os pólos positivo e negativo
          da sensação
Unindo as forças de oposição e resistência
Em lasciva revelação

Tranquilidade
Negação de mim mesma como unidade
           Interlúdio vácuo
Eu deveria ter sido esvaziada de vida
Ao dar vida
Pois a consciência em crise              corre
Pelos depósitos subliminares de processos evolutivos
Eu não
Dissequei
Em algum lugar
Uma mariposa morta de pelos brancos
Pondo ovos?
Um momento
Sendo realização
Pode
Vitalizado por cósmica iniciação
Forjar uma desculpa adequada
Para a objetiva
aglomeração de atividades
de uma vida.
VIDA
Um pulo com a natureza
Para a essência
Da imprevista maternidade

Contra minha coxa
Toque de infinitesimal velocidade
Raramente perceptível
Ondulação
Calor                         umidade
Mistura de vida incipiente
Precipitando dentro de mim
Os conteúdos do universo

Mãe sou
Idêntica
à infinita Maternidade
Indivisível
Intensamente
Sou absolvida
Pelo
Foi-é-sempre será
Da reprodutividade cósmica

Emerge do subconsciente
Impressão de uma gata
Com filhotes cegos
Entre suas pernas
A mesma ondulação de vida
Eu sou a gata

Emerge do sub-consciente
Impressão de carcaça de animal pequeno
Coberta por garrafas azuis
---- epicureia ----
E através dos insetos
Ondas da mesma vibração de vida
Morte
Vida
Estou sabendo
Tudo sobre
          Desdobrar-se

Na manhã seguinte
Cada mulher-do-povo
Desfazendo com os dedos do pé os vermelhos montes do tapete
Fazendo serviços silenciosos
Cada mulher-do-povo
Sustentando um halo
Um ridículo halozinho
O qual ela sublimente             desconhece
Uma vez ouvi numa igreja
---- Homem e mulher Deus os fez ---
                             Graças a Deus

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