Poema: Sorvete servido quente


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Fomos à Sorveteria
Contra o calor e tudo que ardia

A dona rendeu a filha
Pela simpatia que nos tinha.

Notamos a loja mudada
Coisas de menos valia

Aqui e ali tudo ausente
Faltava algo contra a canícula.

De vário, trazia a cabeça
Envolta de pashminas.

Entregara a geladeira
Devolvera-lhe a franquia

Livrava-se das miudezas
Coisas já sem serventia

Contou sobre a sexta quimio
Perseverava, mas "que era a vida"

Que embora entregasse o ponto
Não liquidava sua dívida

A derradeira fatura
Adiava por mais um dia.

Saímos, embora gratos,
Com a mesma sede que tínhamos

Envolvidos em metáforas
De coisas um dia frias.


Para não fechar o assunto
Com morbidezas sandias

Só desejamos calor
Prá dona da sorveteria.

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