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Contra o calor e tudo que ardia
A dona rendeu a filha
Pela simpatia que nos tinha.
Notamos a loja mudada
Coisas de menos valia
Aqui e ali tudo ausente
Faltava algo contra a canícula.
De vário, trazia a cabeça
Envolta de pashminas.
Entregara a geladeira
Devolvera-lhe a franquia
Livrava-se das miudezas
Coisas já sem serventia
Contou sobre a sexta quimio
Perseverava, mas "que era a vida"
Que embora entregasse o ponto
Não liquidava sua dívida
A derradeira fatura
Adiava por mais um dia.
Saímos, embora gratos,
Com a mesma sede que tínhamos
Envolvidos em metáforas
De coisas um dia frias.
Para não fechar o assunto
Com morbidezas sandias
Só desejamos calor
Prá dona da sorveteria.

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