Porque é um pouco difícil
escrever um texto sem certo signo linguístico, um que é presente
sobretudo no grupo de cinco/sete sons vindos dos refolhos de voz do
Português e de extremo uso nos gogós e nos beiços. Desse modo, penso com
meus botões: como posso dizer o que quero, se ele surge todo tempo?
Como o evito? É possível suprimi-lo sem que o texto fique feio, sem
estilo? Creio, se querem mesmo conhecer, que sim. E creio, sobretudo,
que um recurso estilístico pode ser convertido em princípio, ponto de
encontro de um conto, de um soneto ou de outro texto (e muitos escrevem
deste jeito, sem que ninguém suspeite). Eu posso, porque eu gosto de
escrever. Ponto? Nem mesmo. Explico-me.
Os críticos dificilmente
sorriem com esses jogos letrísticos, beletrísticos, esquizoides,
esquizofrênicos, debiloides (segundo eles). Todos têm o senso de serem
meros "exercícios de estilo", sonsices de quem escreve com gosto
(desgosto!) pelo simples exibicionismo. Que somente meninos burgueses
preferem o texto, o enredo, os bon-mots, os chistes, os échecs, os rocs,
esquecendo com nojinho o contexto, todos os pretextos de diegese, o
mundo mesmo, com homens e mulheres, com sofrimentos e júbilos, com o que
ocorre no outro hemisfério do fólio onde esses escritores escrevem com
orgulho, frívolos e esnobes. Esquecem, desse modo, o próprio Leitor!!!!
Bom, eu, que me escuso (e corro e fujo) desses conflitos pouco
higiênicos, escrevo como quem persegue o mundo, os homens e mulheres, o
que é terno, o que é sofrível, o que é nojoso, bondoso e repulsivo, por
meio justo do Verbo incompleto, dos orifícios, dos choques dos símbolos
sem nome, porque sem voz, que, como bebês, como jovens, como idosos com
insultos (oh trolls!), ninguém lhes rende preito. E por que o opróbrio,
sempre que um escritor e quem produz versos resolve expor como foi feito
seu texto, deste ou de outro jeito? O que é do estilo eleito pelo
escritor? Por que mesmo deve ser proibido de ser seu ovo de colombo, seu
jocker, o segredo e o heroi de seu texto?
É certo que o contexto
e o mundo longe do universo linguístico é sempre o pretexto dos
defensores dos contos, versos e todos os outros gêneros estéticos, que
devem ser evidentes; e o rio onde correm motes, litotes, silepses,
hipérboles, eufemismos e oxímoros esconde-se sob o sentimento, fonte
perene, segredo de Pôncio de León, que converte o texto em mundo
refletido no mundo, tronco, flor, esporos (e espinhos).
Desde os 60' os mestres do OuLiPo (http://oulipo.net/) querem produzir desse modo! Hervé Le Tellier
exibe livros pro público com restrições que descreve; o que escreveu
"Residence D'Hiver", idem; Georges Perec sempre o fez (e que Féres
trouxe com "O Sumiço" "pour nous"); e Fournel escreve (inclusive de bike); o mestre de "Six Memos for the Next
Millennium o fez! O "velho idílio dos genitores de Set" (LV), texto de
nosso querido Bruxo do Cosme Velho, é um monte de signos sem verbos,
conúbio entre texto e contexto! E nosso escritor recifense que produz um
livro em 1973 com um cubo de motes que se pode ler em direções
diferentes e, segundo ele, em hélice, repetiu nosso sonho e nosso
destino de escritores proscritos. Lindos, todos eles! Porém, sempre
houve esses textos e esses doidos eleitos!
De resto, somos
escritores, produtores de versos (diversos), somos filhos dos textos, do
Deus do universo que disse que é o Verbo, e no-lo legou! Indo e vindo,
como pompom de felinos, sou gênio sem luz, e meu lúzio é o hidrocor preto e o
esfuminho, e os sons distintivos do homem que diz: "Eu escrevo".
(Pelo menos eu tentei, Melpômene...)

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