Madeleine de l'Aubespine: L'on verra s'arrêter le mobile du monde

Madeleine de l'Aubespine (1546-1596), dame de Villeroy. Poeta e tradutora. Seus poemas foram publicados pela primeira vez por Roger Sorg, em 1926. Seu talento se mostra bastante original: pela vivacidade de sua imaginação, ela acede a uma cosmologia cósmica cuja aturdiante fantasia pressagia já a de Théophile de Viau. Lua Quadrada, peixes que voam, água seca, em alguns traços ela cria um universo do absurdo que desorienta e cativa.

Fonte: adaptado de biblisem.net.

O poema aqui encontrado é uma tradução de Adilson Guimarães Jardim, publicado em "10 Poetas Francesas", edição bilíngue, Editora Nordeste Cartonero, 2016, folheto, 48 páginas.

L'on verra s'arrêter le mobile du monde
Se verá suspender a máquina do mundo

L'on verra s'arrêter le mobile du monde
Les étoiles marcher parmi le firmament,
Saturne infortuné luire bénignement,
Jupiter commander dedans le creux de l'onde.

 Se verá suspender a máquina do mundo,
E as estrelas marcharem o firmamento,
Saturno, a seu revés, luzir no seu intento
Júpiter, monarca, reger do mar profundo.

L'on verra Mars paisible et la clarté féconde
Du Soleil s'obscurcir sans force et mouvement,
Vénus sans amitié, Stilbon sans changement,
Et la Lune en carré changer sa forme ronde,

Se verá Marte serenar, e o brilho intenso
Do Sol nublar sem força nem constância,
Vênus inimiga, Mercúrio sem mudanças,
E a Lua, disforme, com borda e contra-senso

Le feu sera pesant et légère la terre,
L'eau sera chaude et sèche et dans l'air qui l'enserre,
On verra les poissons voler et se nourrir,

Será pesada a chama e fraca a terra,
Seca será a água, e quente no ar que a encerra,
Peixes serão vistos, que voam e se nutrem,

Plutôt que mon amour, à vous seul destinée,
Se tourne en autre part, car pour vous je fus née,
Je ne vis que pour vous, pour vous je veux mourir.

Enquanto meu amor, a vós só por destino,
Converte o ser em outro, posto que infindo,
Por vós nasceu, por vós viveu antes que enlute.

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