(Técnica do Conto Politicamente Incorreto)
Estou aqui, nesta noite, para levar a todos vocês, cidadãos de bem, informações sobre a fonte de todos os nossos males sociais. Quem sabe, então, ao final de minha fala esta noite, todos possam chegar sozinhos, como eu cheguei um dia, à única conclusão e decisão possível e obrigatória de homens de bem para dar cabo desse mal.
Estatisticamente, a maioria dos crimes de tráfico de entorpecentes, assaltos à mão armada, estupros e violência urbana diversa no Brasil é praticada por negros e afrodescendentes. As estatísticas não mentem, seus números são rigorosos e por si só já promovem a mais autêntica interpretação da realidade. As cotas raciais privilegiam negros. As cotas mandam negros pra universidades, pra o mercado de trabalho, pra o Congresso Nacional. Brancos não têm cotas. Não entram nas estatísticas. Estão fora da realidade.
Os negros são responsáveis pelo funk, pelo rap, pelo pagode e pelas músicas de brega eletrônico. Suas canções poluem as rádios, e seus ouvintes são negros e as escutam nas periferias em alta frequência. As demais músicas afrodescendentes foram aperfeiçoadas por brancos, como o samba, que, segundo o Poetinha, é branco na poesia. Os versos brancos não requebram acintosamente.
A própria periferia é criação de negros, como os morros, as favelas e os guetos. Outros espaços urbanos, criação de brancos, tais como viadutos, pontes, estações de metrô e esquinas de comércio, os negros tomam posse. Outros negros grafitam e subvertem a arte da ilustração e da pintura. Os negros acabam fazendo arte e pintam o sete por toda a Cidade.
O candomblé e outras religiões que cultuam orixás são criação de afrodescendentes. Santa Bárbara os fulmine com seus raios.
A pobreza e a miséria estão nas estatísticas, e são negras e afrodescendentes.
As estatísticas são claras. Clarinhas. Branco no preto.
Encerro e trago luz à discussão.

Comentários
Postar um comentário