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O que podemos aprender com donos de ‘supermemórias’?
Além disso, suas memórias são suscetíveis a alguns erros: em 2013, a equipe de Lawrence Patihis, da Universidade de Southern Mississippi, descobriu que as pessoas com HSAM sofrem de "memórias falsas". Ou seja, podem ser incitadas a se lembrar de fatos que nunca ocorreram.
Portanto, não existe a memória perfeita. Essas mentes extraordinárias também usam as mesmas ferramentas que o resto de nós também utiliza. Mas como?
Alguns indícios vêm da observação da maneira como as lembranças evoluem ao longo do tempo. Craig Stark, da Universidade da Califórnia em Irving, recentemente comparou as descrições de um evento feitas por pessoas com HSAM e outras "normais", uma semana, um mês e um ano após o ocorrido.
Ficou claro, no fim do experimento, que, um ano depois, os voluntários com "supermemória" conseguiam recontar os fatos com a mesma vivacidade de detalhes com que os haviam descrito logo após o evento. Enquanto isso, para os demais, a lembrança se tornara vaga e confusa.
"Deve haver algo na maneira como as pessoas com HSAM se agarram às informações", explica Stark. Mas, infelizmente, ele não conseguiu demonstrar grandes diferenças anatômicas no cérebro que pudessem justificar sua teoria.
A resposta parece estar em padrões e hábitos mais gerais de organizar os pensamentos. Patihis analisou cerca de 20 voluntários com "supermemórias" e descobriu que eles pontuavam muito bem em dois marcadores: propensão à fantasia (uma tendência a ser imaginativo e a "sonhar acordado") e absorção (permitir que a mente fique imersa em uma atividade, com atenção total nas sensações e experiências).
Segundo Patihis, a absorção ajuda essas pessoas a estabelecer bases sólidas para uma memória, enquanto a tendência à fantasia demonstra que elas revisitam essas lembranças várias vezes nas semanas e meses seguintes. A cada vez que o evento é rememorado, ele se torna mais marcante.
Uma pessoa comum geralmente vive esse processo depois de um acontecimento importante, como o dia de seu casamento, por exemplo. Mas a diferença é que aqueles com HSAM fazem isso todos os dias de suas vidas.
No entanto, nem todo o mundo com uma tendência a fantasiar tem uma supermemória, portanto Patihis acredita que algo deve ter feito com que esses indivíduos passassem a pensar tanto no passado.
Matéria completa na página da BBC Brasil.
David Robson
Da BBC Earth
A
chamada "memória autobiográfica altamente superior" (HSAM, na sigla em
inglês) ficou conhecida no início dos anos 2000, através de uma jovem
chamada Jill Price. Ela escreveu ao neurocientista Jim McGaugh contando
que podia se lembrar de todos os dias de sua vida desde que tinha 12
anos.
Intrigado, McGaugh a convidou a seu laboratório e iniciou
uma série de testes. Ele citava uma data qualquer e ela tinha que contar
o que aconteceu no mundo naquele dia. Acertava praticamente todas as
vezes.
Por sorte, Price também fez um diário durante todo aquele
período, permitindo aos pesquisadores verificar suas lembranças de
eventos em sua vida pessoal. E nisso ela também acertou praticamente
tudo.
Não demorou muito para que Price ficasse famosa na imprensa,
atraindo para o laboratório de McGaugh, na Universidade da Califórnia,
um punhado de outras pessoas que diziam ter uma supermemória.
Autocentrados e fantasiosos
Mas, curiosamente, as lembranças dessas pessoas são altamente autocentradas: apesar de se lembrarem em detalhes de eventos de suas vidas, não impressionam por sua capacidade de memorizar informações impessoais, como uma lista de compras, por exemplo.Além disso, suas memórias são suscetíveis a alguns erros: em 2013, a equipe de Lawrence Patihis, da Universidade de Southern Mississippi, descobriu que as pessoas com HSAM sofrem de "memórias falsas". Ou seja, podem ser incitadas a se lembrar de fatos que nunca ocorreram.
Portanto, não existe a memória perfeita. Essas mentes extraordinárias também usam as mesmas ferramentas que o resto de nós também utiliza. Mas como?
Alguns indícios vêm da observação da maneira como as lembranças evoluem ao longo do tempo. Craig Stark, da Universidade da Califórnia em Irving, recentemente comparou as descrições de um evento feitas por pessoas com HSAM e outras "normais", uma semana, um mês e um ano após o ocorrido.
Ficou claro, no fim do experimento, que, um ano depois, os voluntários com "supermemória" conseguiam recontar os fatos com a mesma vivacidade de detalhes com que os haviam descrito logo após o evento. Enquanto isso, para os demais, a lembrança se tornara vaga e confusa.
"Deve haver algo na maneira como as pessoas com HSAM se agarram às informações", explica Stark. Mas, infelizmente, ele não conseguiu demonstrar grandes diferenças anatômicas no cérebro que pudessem justificar sua teoria.
A resposta parece estar em padrões e hábitos mais gerais de organizar os pensamentos. Patihis analisou cerca de 20 voluntários com "supermemórias" e descobriu que eles pontuavam muito bem em dois marcadores: propensão à fantasia (uma tendência a ser imaginativo e a "sonhar acordado") e absorção (permitir que a mente fique imersa em uma atividade, com atenção total nas sensações e experiências).
Segundo Patihis, a absorção ajuda essas pessoas a estabelecer bases sólidas para uma memória, enquanto a tendência à fantasia demonstra que elas revisitam essas lembranças várias vezes nas semanas e meses seguintes. A cada vez que o evento é rememorado, ele se torna mais marcante.
Uma pessoa comum geralmente vive esse processo depois de um acontecimento importante, como o dia de seu casamento, por exemplo. Mas a diferença é que aqueles com HSAM fazem isso todos os dias de suas vidas.
No entanto, nem todo o mundo com uma tendência a fantasiar tem uma supermemória, portanto Patihis acredita que algo deve ter feito com que esses indivíduos passassem a pensar tanto no passado.
Matéria completa na página da BBC Brasil.

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