Poema

Malabarista (Botero)

Se me perguntas o que almejo
Farei brinquedo de tua palavra
Caçando prefixos beduínos
No deserto de teus sentidos
Enquanto insistes:
O homem precisa de um sonho
Os meus há muito devorei
E, digo a ti, pareceram-me apetitosos
Enquanto te acabrunhas
E eu me abracadabro
Sorrindo de teus escárnios
Descarnando o sentido de tuas parábolas
Sintonizando as parabólicas de minha pena
Desgastada com a força de minhas mãos infantis
Imaturas, sem nada almejar mais que o peso da pena
E, ao final de teus sonhos vendidos a mim tão caros
Tentando pousar ósculos de óculos com lábios tortos
Em tuas mãos de sábia causídica da vida, te direi:
Ainda não vês? É ser feliz pousando a vida em meu nariz.

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