Essa é dos tempos da comunidade que
criei para o ALiPo (Ateliê de Arte e Literatura Potencial) no Orkut. A
experiência consiste em produzir todo um texto feito unicamente de
perguntas. Do foco narrativo aos diálogos, nenhuma afirmação direta,
apenas perguntas, questionamentos, indagações, dúvidas. O aproveitamento
da técnica é de responsabilidade exclusiva do escritor, mas abre espaço
para dúvidas existenciais de um lado, a dúvida da frase "certa", da
afirmação severa, além de ilustrar a falta de diálogo entre as pessoas
nos dias de hoje, de ouvir a opinião do outro, de uma necessidade
esdrúxula e tagarela de somente ouvir no final a própria voz, de ter a
última opinião. O diálogo abaixo, está contido na Comunidade do Orkut, e
foi construído a muitas vozes com os membros, dentro de outra
perspectiva, como atividade didática para alunos do Fundamental 2.
Participantes: Adilson Jardim, Evelyn Leite, Selma Oliveira, João
Paulo, Jefton Pereira, Beronice Borges.
O tema exposto: Preguiça.
- Você não vai trabalhar hoje, não?
- Não posso folgar um dia na semana sem te dar satisfação?
- Você tá falando que sou possessivo?!
- Você está pronto para ouvir a verdade?
- Se eu disser que sim, você confessa que foi demitido?
- Quem foi demitido?
- NÃO FOI VOCÊ?
- Não acha que está tirando conclusões precipitadas a meu respeito?
- Então, você foi demitida?
- Posso dormir um pouquinho mais, antes de responder?
- Você é preguiçoso assim sempre ou só pra trabalhar?
- O que é que você acha?
- Ah, já sei, essa preguiça toda é ressaca da farra na noite passada, não é?
- Você é bastante espertinha, como adivinhou?
- Posso dormir mais um pouco antes de brigarmozzzzzzzz?
- Você acha que iria brigar com alguém tão preguiçoso como você??
- Você não brigaria com alguém preguiçoso?
- Posso voltar a dormir para ir trabalhar?
- Queres uma xícara de café bem quentinho para despertar?
- E você, não vai trabalhar hoje não?
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