(A partir de Boda Espiritual, de Manuel Bandeira)
Estás em minha frente em momentos tão gastos:
De olvido meu, grande ilusão, somes vestida
— Bem vestida à rameira e rude, sob meus cascos.
Dás-me as costas e o tédio que não declinas.
Viras a face. E eu te abomino... E te recuso...
O punho cerrado contra o meu rosto... Miras...
Lanças do corpo náuseas de meus beijos defuntos.
Tu’alma dura assevera, em retidão lassa
Mais fora a rocha a alma nívea e neve juntas.
Falas língua defunta. Nada pedes, farta.
E para enervar tua discrição mais vulgar
Nego-te a mão a que desafias à tapa...
E então gritas a todo pulmão já sem ar.
Afasto de teu corpo meu corpo cansado
Ó tédio infernal, mágoa, timidez de amar...
E te odeio com um amor despedaçado.

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